| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Pelecaniformes |
| Família: | Ardeidae |
| Leach, 1820 | |
| Espécie: | S. sibilatrix |
Syrigma sibilatrix, conhecida popularmente como maria-faceira ou socó (Rio Grande do Sul), é uma ave pelecaniforme da família Ardeidae.
A maria-faceira é uma das primeiras espécies de aves a colonizar áreas recém-queimadas e aparentemente sua distribuição vem aumentando em função do desmatamento.
Seu nome científico significa: do (grego) surigma, surizö = assobiador, apitar; e do (latim) sibilatrix, sibilare = assobiar, apito. ⇒ Ave que assobia.
Mede 53 centímetros de comprimento. Inconfundível. É a única garça brasileira com este padrão de coloração. O nome comum está ligado às cores espetaculares da cabeça. Face azul-claro brilhante, coroa cinza-escuro ou preta, que continua com longas penas ornamentais curvas e rígidas, com pontas amarelas ou brancas; bico longo e delgado róseo com mancha azul-violeta na ponta. A plumagem da garganta, pescoço e partes inferiores são amareladas, que aparece e desaparece para o branco, provocada pelo rico pó das penas (ou secreção da glândula uropigiana?) (Helmut Sick), enquanto o dorso, escapulares e rêmiges é cinza-claro; coberteiras das asas canela rosado, com listras pretas; supra e infracaudais brancas. Íris amarelo-claras, pernas preto-esverdeadas. Sexos semelhantes. As cores do juvenil são mais esmaecidas, mas, fora isso, é idêntico aos adultos.
Syrigma sibilatrix fostersmithi: semelhante ao tipo, mas a coroa é mais ardósia azulada, menos enegrecida; as coberturas das asas são mais amareladas e menos canela rosadas, com estrias pretas mais estreitas; pescoço e peito amarelo mel claro, não amarelo esverdeado e a média dos bicos é mais longa (Blake 1977).
Os casais permanecem juntos a maior parte do tempo, mantendo contato em voo com um chamado especial, um sibilo melodioso e longo. O som produzido é semelhante ao de marias-fumaças de brinquedo.
São 2 subespécies reconhecidas:
Syrigma sibilatrix sibilatrix (Temminck, 1824) - ocorre ao sul da América do Sul, planícies alagadas da Bolívia, Paraguai, centro, sudeste e sul do Brasil e nordeste da Argentina.
Syrigma sibilatrix fostersmithi (Friedmann, 1949) - ocorre no norte da América do Sul, Leste da Colômbia e Venezuela.
(IOC World Bird List 2017; Aves Brasil CBRO 2015).
Passa a maior parte do tempo no solo, andando à procura de insetos. Quando em regiões alagadas nunca se aventura em águas profundas, preferindo as margens alagadas, ricas em vegetação, onde se alimenta não só de insetos, mas também de anfíbios, pequenos roedores e peixes como o Synbranchus marmoratus (muçum) e Gymnotus carapo (tuvira), ambos adaptados a águas barrentas. É uma das primeiras aves a aparecer quando o solo é arado e apanha avidamente minhocas e outros invertebrados removidos pelas máquinas. Pode ficar por longos períodos imóvel ou andando bem lentamente observando a sua presa.
Na época da reprodução, os machos têm um voo de exibição, que exibem na frente das fêmeas, que envolve voar para frente e para trás e deslizar em círculos. A época reprodutiva é muito extensa e variável. Geralmente, é de abril a setembro no norte e setembro a janeiro no Brasil e no sul. Seu ninho é feito de gravetos e construído em árvores, geralmente em um grande galho horizontal, entre 3 e 8 metros acima do solo. A construção é tão solta e frágil que muitas vezes os ovos podem ser vistos através do fundo que não é forrado. Põe geralmente 4 ovos azuis claros com várias manchas, especialmente nas 2 extremidades da casca, com um período de incubação de aproximadamente 28 dias. Considerando a baixa resistência do ninho, acidentes e quedas que são bastante comuns em dias de vento, raramente se vê mais de 2 filhotes emplumados. Depois de deixar o ninho, os filhotes ainda permanecem dependentes dos pais para se alimentar por um certo tempo, eriçando as penas do pescoço e assobiando como gansos, solicitando alimento.
Habita campos, pampas, plantações, cerrados, savanas de cupins e varjões. No Sudeste, aparece próximo a orla marítima, nos campos litorâneos e nas fazendas. No final da tarde, desloca-se para dormir pousada em árvores altas, geralmente em terreno seco. No início da manhã seguinte retorna ao local de alimentação, onde permanece no solo a maior parte do tempo, caçando os insetos em caminhadas lentas. Sua batida de asas é muito característica, por ser de baixa amplitude e alta velocidade, dando a impressão que voa somente com o deslocamento da ponta extrema da asa. Voa com o pescoço menos encolhido do que outras graças. Ave de aspecto e comportamento singulares. É a única garça originalmente brasileira que vive tanto em locais alagados quanto em locais secos, estando presente até mesmo em áreas de caatinga. Costuma viver sozinha ou aos pares em territórios fixos.
Voz: muito diferente da de outros ardeídeos. Um sibilo melodioso repetido sem pressa: “i,i,i” que é emitido com o bico largamente aberto e pescoço esticado. O som produzido é semelhante ao de marias-fumaças de brinquedo.
R (Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos). Ocorre da Venezuela e Colômbia ao Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina, com duas populações distintas, separadas pela bacia amazônica. No Brasil, é encontrada nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.